segunda-feira, 17 de junho de 2013

MANIFESTAÇÕES BRASILEIRAS

TEXTO 1

Precarização e o Passe Livre:

Ao meu ver, a discussão fundamental se encaminha no obscuro da formação de classe trabalhadora brasileira, pautada nos níveis de desmontes nas últimas três décadas. É preciso ter andado em lotações cheias e perigosas, no mais visceral contato pudico, para que se entenda o que é precarização no cotidiano e os caminhos da repressão político-subjetivo que as gerações mais novas sofreram e vêm sofrendo. Questionar o transporte público esta na epiderme, como todo direito social. É sensorial, pois, na contra mão do indivíduo moderno, todo delírio deve ser contido. Colocam-se freios para as palavras, que em essência têm a liberdade utópica de se juntar no todo, assim, o corpo precário, admitido pela formação para o trabalho, aceita o apartheid dos cheiros, das vozes, do incômodo emaranhado do outro, mas, as palavras não podem dizer, recrudescem; transferem-se à ação.

"O que se ensinava à pessoas? Os homens do povo - os indivíduos que produziam e que constituíam a base da sociedade - eram ensinados a trabalhar e a obedecer. Eram ensinados a não 'delirar'. Em sua origem latina, a palavra delirar dá conta de uma situação negativa no âmbito do trabalho: ela indica o que acontece com o arado ao 'sair do sulco marcado pela charrua' (Leandro Konder - As palavras e a luta de classes; "O marxismo na batalha das idéias".




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TEXTO 2

Membro do Movimento Passe Livre explica mobilização contra aumento da passagem

Se a crise dos transportes e as multitudinárias manifestações brasileiras não forem objeto de aula temática macacos hão-de nos morder a todos nós. É a nova primavera social brasileira... jovens, trabalhadores, negras e negros, mulheres de classe média, jornalistas e tutti quanti ganhando às ruas contra os Srs. Drs. F. Haddad e G. Alckimin.


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TEXTO 3

E DAQUI, PARA ONDE VAMOS?

Hoje participei da manifestação que ocorreu em Belo Horizonte e sinto-me à vontade para dizer algo: Geraldo Alckmin conseguiu o que queria e entrou para a História do Brasil. Não como sonhava entrar, mas seu nome já está garantido ao menos como nota de rodapé nos livros didáticos.
Explico: até a noite de quinta-feira, 13 de junho, o movimento que ocorria pontualmente ao redor do Brasil em protesto ao aumento das passagens de ônibus era algo relativamente difuso, sem muito potencial para crescimento. Havia duas opções de desfecho: as passagens seriam reduzidas (como ocorreu em Porto Alegre) e tudo voltaria ao normal ou eventualmente a negativa das empresas e do governo deixaria claro que nada poderia ser feito quanto à questão. No entanto, a partir do instante em que Alckmin agiu como Alckmin (e Serra) e ordenou que a PM reprimisse a manifestação popular com força desproporcional, catalisou um processo que talvez levasse um tempo infinitamente maior para se cristalizar. Ninguém gosta de um bully – e o governo tucano, como já havia se mostrado em tantas outras ocasiões (com professores da rede pública, estudantes da USP, habitantes do Pinheirinhos e até mesmo com a Polícia Civil), não hesita em se entregar ao bullying sempre que questionado.
Desta vez, porém, Alckmin errou feio seu cálculo e criou um monstro que se espalhou por todo o país. A partir de quinta-feira, a questão definitivamente já não girava mais em torno de 20 centavos ou mesmo do transporte público livre; era uma questão de cidadania. E, como tal, deixou também de ser algo contra o governo tucano ou a prefeitura petista, passando a ser um grito de revolta generalizado, um berro de “chega!”.
Mas “chega” o quê?
E foi esta pergunta que vi tantos jovens se fazendo durante o manifesto em BH – mesmo que não percebessem o questionamento. Assim, voltei para casa feliz por testemunhar o despertar de uma juventude repleta de potencial, mas também inquieto por perceber claramente que ela não tem ainda uma ideia muito clara do que está fazendo ou de como prosseguir.
O que resulta numa combinação muito, muito perigosa.
(Aqui peço licença para um breve flashback pessoal para estabelecer por que me julgo detentor de certa experiência para discutir a questão: em 1992, depois de fundar e presidir por dois anos o grêmio do colégio no qual estudava – Promove Savassi -, fui eleito em assembleia estudantil como líder do movimento secundarista no Fora Collor. Como tal, participei da organização das manifestações em Belo Horizonte, discursei em carro de som na Praça da Liberdade e na Praça Sete e fui o rosto de meus colegas sempre que uma entrevista à imprensa era necessária – e certamente há fitas embaraçosas nas emissoras mineiras que trazem meu rosto moleque tentando parecer sério enquanto discute os motivos que tornavam necessária a saída do Presidente. Na época, fui um dos estrategistas do movimento em Minas, ajudando a decidir datas, locais e focos de protesto – e mais tarde presidiria o DA da faculdade até abandonar o movimento estudantil ao perceber que precisava me focar nos estudos. Não sou, portanto, um mero palpiteiro, creio eu. Fim do flashback.)
Ao caminhar entre a multidão de milhares de pessoas neste sábado, percebi duas coisas muito óbvias: uma imensa empolgação e uma preocupante falta de foco.
A primeira é fácil compreender: há anos a juventude não ia às ruas – e, como toda geração, eventualmente era inevitável que ela se questionasse acerca de sua própria revolução. A geração anterior teve o “Fora Collor!”; antes dessa, houve a luta contra a Ditadura. O que a geração pós-anos 90 tinha para protestar, porém? Quando e como poderia extravasar o impulso rebelde que faz parte do DNA jovem e que é algo tão belo e fundamental para o avanço da Humanidade?
Os últimos dias trouxeram esta oportunidade – e não é à toa que um jovem amigo pelo qual tenho imenso carinho me enviou uma mensagem por telefone na qual dizia, em parte, “estar em êxtase” após a passeata. Como não estaria? Lembro-me de meus dias de líder estudantil e ainda sinto o calor nostálgico da sensação de dever cumprido: como tantos antes de mim, eu estava deixando minha marca na História.
É um sentimento lindo, único, precioso. E sinto-me privilegiado por ter testemunhado o brilho que este trouxe aos olhos de tantos jovens hoje em Belo Horizonte. Eu olhava ao meu redor e via este êxtase em todos os rostos lisos que me cercavam – e sentia a vontade de abraçá-los com força e dizer: “Eu sei. É lindo, não é?”.
Sim, é lindo.
Mas eu também me sentia inquieto ao observar que, ao lado da euforia, havia uma clara dispersão de objetivos. Assim, puxei papo com vários jovens e observei atentamente os cartazes que carregavam.
“Pela humanização das prostitutas!”
“O corpo é meu! Legalizem o aborto!”
“Fora, Lacerda!”
“Viva o casamento gay!”
“Passe Livre já!”
“Passagem a 2,80 é assalto!”
“Pelo fim da PM no Brasil!”
“Cadê a Dilma da guerrilha?”
“Fuck you, PSTU!”
“Aécio NEVER!”
“Não à Copa no Brasil!”
E por aí afora. Era um festival desconjuntado de causas, ideologias e revoltas. Os cartazes tratavam dos sintomas, não da doença – e ao berrarem os sintomas pelas ruas de BH em vez de identificarem a patologia que os provocavam, aqueles jovens pareciam felizes, sim, mas também um pouco perdidos.
Passei a caminhar silencioso pela multidão. Sentia a energia gostosa, positiva, da ação juvenil, mas mergulhava cada vez mais em uma reflexão preocupada sobre o que via. Seria apenas um sinal dos tempos? Uma revolução do tempo das redes sociais, nas quais você pode “curtir” uma mensagem, uma causa, a cada segundo? Havia, sim, um componente de hiperlink até nos bordões cantados pela massa: um refrão sobre os ônibus levava a outro sobre a PM que levava a outro sobre a Copa que levava a outro sobre Lacerda que levava a outro sobre…
… sobre o quê?
Ao chegar em casa, manifestei esta dúvida no Twitter e alguns jovens imediatamente responderam: “Ninguém nos representa!” e “Sim, estamos contra tudo!”.
Mas “estar contra tudo” não é ideologia.
E sem ideologia não há movimento que se sustente. Ou, no mínimo, que se sustente de maneira consistente – o que abre espaço para a manipulação.
Foi isto, enfim, que me angustiou profundamente.
Vivemos em tempos perigosos: a direita religiosa se torna cada vez mais influente e as grandes empresas da mídia já perceberam que o PSDB não é uma oposição viável – e, assim, decidiram ser elas mesmas a Oposição. Não é à toa que, contradizendo todos os índices econômicos divulgados por órgãos independentes, a Globo, a Foxlha, a Veja e o Estadão vêm pintando um quadro de instabilidade crescente: inflação alta, dólar alto, PIB decrescente e por aí afora, pintando um país em crise que, sejamos honestos, não corresponde ao que vemos todos os dias nas ruas.
Enquanto isso, o aliado histórico dos movimentos populares, o PT, parece ter se esquecido de suas origens: tímido em sua resposta à brutalidade da PM, Haddad apenas embaraçou-se ao relativizar os excessos da polícia – e sua proposta de se reunir com as lideranças do movimento Passe Livre vem tardio, já que estas já não representam mais as massas na rua. Enquanto isso, Dilma é vaiada num estádio lotado por representar o poder – mesmo que, há pouco tempo, tenha oferecido subsídios justamente para diminuir as passagens de ônibus que, ironicamente, serviram como estopim da revolta.
Ora, se o PT não é visto mais como representante popular pelos manifestantes (e nem tem projeto que o aproxime da juventude) e o PSDB é claramente a mão pesada da repressão, para onde os jovens podem se voltar? Além disso, como não têm uma causa específica a defender, estes empolgados rapazes e moças criam um problema impossível, já que não há solução viável que os acalme. Como resultado, surge apenas um clima imponderável de insatisfação política generalizada – um clima complexo, intenso, raivoso e insolúvel.
É deste tipo de contexto que nascem os golpes.
E esta não seria uma solução que desagradaria os barões da mídia – lembrem-se das manchetes dO Globo pós-golpe em 64.
Claro que esta não é a única resolução possível para o quadro que se desenha. Uma revolução sem foco é uma revolução em busca de um líder, de um emblema, de uma figura messiânica. E não há, hoje, uma estrutura política mais equipada para preencher este vácuo que a direita religiosa.
A guinada reacionário-fascista, portanto, é uma possibilidade nada absurda para este movimento que nasce tão bem intencionado.
Isto, aliás, é que me deixa tão preocupado: os jovens que vi hoje na rua eram… lindos. Lindos. Felizes em seu papel democrático, acreditavam estar desempenhando uma função histórica fundamental. E estão. Mas se não surgir um foco para esta embrionária revolução, o perigo para que ela se desvirtue e seja cooptada pelo que temos de mais reacionário, conservador, atrasado e estúpido é real e imediato.
E veríamos, então, a destruição dos resultados trazidos por dez anos de um projeto político voltado de forma inédita para o crescimento social dos miseráveis. Ninguém duvida que, do ponto de vista social, o Brasil de 2013 seja infinitamente melhor que o de 2003. Mas se esta massa juvenil maravilhosa não encontrar o foco necessário, corremos um grande risco de regressarmos a 1993.
Foi isto, afinal, que me deixou tão triste após uma tarde de alegria ao lado daqueles admiráveis jovens.

http://www4.cinemaemcena.com.br/diariodebordo/?p=3050


TEXTO 4

Proposta concreta, por Vladimir Safatle


Por Vânia
Da Folha
VLADIMIR SAFATLE
Há várias maneiras de esconder uma grande manifestação. Você pode fazer como a Rede Globo e esconder uma passeata a favor das Diretas-Já, afirmando que a população nas ruas está lá para, na verdade, comemorar o aniversário da cidade de São Paulo.
Mas você pode transformar manifestações em uma sucessão de belas fotos de jovens que querem simplesmente o "direito de se manifestar". Dessa forma, o caráter concreto e preciso de suas demandas será paulatinamente calado.
O que impressiona nas manifestações contra o aumento do preço das passagens de ônibus e contra a imposição de uma lógica que transforma um transporte público de péssima qualidade em terceiro gasto das famílias é sua precisão.
Como as cidades brasileiras transformaram-se em catástrofes urbanas, moldadas pela especulação imobiliária e pelas máfias de transportes, nada mais justo do que problematizar a ausência de uma política pública eficiente.
Mas, em uma cidade onde o metrô é alvo de acusações de corrupção que pararam até em tribunais suíços e onde a passagem de ônibus é uma das mais caras do mundo, manifestantes eram, até a semana passada, tratados ou como jovens com ideias delirantes ou como simples vândalos que mereciam uma Polícia Militar que age como manada enfu-recida de porcos.
Vários deleitaram-se em ridicularizar a proposta de tarifa zero. No entanto, a ideia original não nasceu da cabeça de "grupelhos protorrevolucionários". Ela foi resultado de grupos de trabalho da própria Prefeitura de São Paulo, quando comandada pelo mesmo partido que agora está no poder.
Em uma ironia maior da história, o PT ouve das ruas a radicalidade de propostas que ele construiu, mas que não tem mais coragem de assumir.
A proposta original previa financiar subsídios ao transporte por meio do aumento progressivo do IPTU. Ela poderia ainda apelar a um imposto sobre o segundo carro das famílias, estimulando as classes média e alta a entrar no ônibus e a descongestionar as ruas.
Apenas nos EUA, ao menos 35 cidades, todas com mais de 200 mil habitantes, adotaram o transporte totalmente subsidiado. Da mesma forma, Hasselt, na Bélgica, e Tallinn, na Estônia. Mas, em vez de discussão concreta sobre o tema, a população de São Paulo só ouviu, até agora, ironias contra os manifestantes.
Ao menos, parece que ninguém defende mais uma concepção bisonha de democracia, que valia na semana passada e compreendia manifestações públicas como atentados contra o "direito de ir e vir". Segundo essa concepção, manifestações só no pico do Jaraguá. Contra ela, lembremos: democracia é barulho.
Quem gosta de silêncio prefere ditaduras.

domingo, 16 de junho de 2013

MUSEU DO ÍNDIO

DESTRUINDO NÓS MESMOS


O fim da Aldeia Maracanã - Imagem: uol
O Brasil, e o povo brasileiro em si, nunca foi muito de dar valor aos seus patrimônios históricos e culturais, muito menos as suas memórias e semióforos. Mas desta vez exageramos. Deixamos mais uma vez que interesses particulares tomassem conta de manifestações culturais coletivas. E isso é mais uma derrota a nossa memória. Saímos de campo com a sensação de que perdemos para nós mesmos.
Nesta última sexta-feira (22/03), o Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro (a mesma que entra com caveirões nos morros cariocas), amparada por uma ordem judicial, tomou o antigo prédio do Museu do Índio, no bairro do Maracanã. No local existia a Aldeia Maracanã, onde índios ainda tentavam reviver os ideais de Darcy Ribeiro, antropólogo e fundador do Museu, que gostaria de ver o melhor convívio possível entre os índios e os “homens brancos”. A justiça determinou a tomada do local como parte da implantação de melhorias no entorno do Estádio do Maracanã, que vai receber a Copa do Mundo da FIFA de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Segundo o governador do Rio, Sérgio Cabral, no local vai ser construído o Museu do COB (Comitê Olimpico Brasileiro). Pergunta-se então: qual valor cultural é mais importante para a história do Brasil, a dos Índios, primeiros moradores deste local, ou das medalhas de atletas? Decidiu-se pela segunda opção.
O antigo Museu do Indio no bairro do Maracanã - Imagem: O Globo
            O nome Maracanã vem do tupiMaraka´nã, que significa papagaio. Ali onde o Museu foi construído era considerado um solo sagrado pela Aldeia Maracanã, a mesma que deu nome ao rio que passa por ali, à avenida, ao bairro e ao estádio. Os índios possivelmente ali ainda viviam em forma de demonstração de que tudo pode mudar ao seu redor, mas não o meio em que eles vivem. Um caso de resistência mesmo. Tudo estava ali antes mesmo do Rio de Janeiro existir, muito antes de se pensar em estádio e Copa do Mundo. Ali foi construído um sonho de se preservar a memória do índio, para que a nossa sociedade pudesse ter conhecimento (ou se dar conta!) de que muito de nós são eles. Muitos de nossos hábitos, palavras, costumes e culturas são indígenas. Mesmo isso parecendo tão evidente e tão óbvio foi necessária a construção de um local de memória para que se pudesse preservar e tomar conhecimento disso. Mas perdemos mais uma. Além das tantos  arrancados de suas tribos amazônicas, vemos mais uma invasão típica dos portugueses do século XVI, às tribos contrárias aos ideais da metrópole. Agora só falta chegar os jesuítas para catequizá-los.
Alguns argumentam que o prédio estava abandonado e que o Museu já tinha se transferido para um palacete no bairro de Botafogo, e que agora os índios vão para outro local determinado pela prefeitura. Mas será que ninguém percebe a relação que os índios têm com o lugar em que vivem? Que na verdade são parte da natureza e do meio em que sobrevivem? Sociedades e tribos não foram feitas para que se fique mudando-as de lugar, e sim para serem preservadas como pertencentes a nossa sociedade, ao nosso passado.
O Rio de Janeiro, não o único, mas  ótimo exemplo, tem se mostrado o mais truculento de todos em relação a essas “acomodações” para os jogos. Em muitos casos parece-se com a política higienista do começo do século XX, onde várias pessoas foram expulsas do centro da cidade para dar lugar a grandes avenidas e passeios para a nova alta sociedade: a republicana, com grandes ambições de ser nobreza. Essas pessoas, expulsas, podem ser vistas através de seus ascendentes morando no alto dos “pacificados” morros cariocas.
Frase Emblemática no interior do Prédio - Imagem: Eduardo GM de Castro
            Até quando será que vamos admitir que pessoas determinem o que deve e o que não deve ser preservado como patrimônio e memória do Brasil? Mais um projeto arquitetônico vai ser demolido, mais uma tribo vai ser arrancada de seu local de origem, mais uma cultura vai ser massacrada, e mais uma vez não vamos fazer nada. O progresso é sempre mais importante, desenvolve, enriquece e também esquece. E mais alguém vai ser esquecido e vai ser lembrado apenas no dia 19 de abril, quando as tias das escolinhas vão pintar as caras das crianças para “comemorar” o dia do índio. Parabéns a todos nós brasileiros por mais esta demonstração de “ordem e progresso”.
Termino com uma frase do próprio Darcy Ribeiro, criador do Museu:
"Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas, demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária...”. Parecem-me causas cada dia mais utópicas.

P.S.: Por favor, avisem a Coca-Cola de que ela esqueceu-se de colocar em sua propaganda que, apesar de ser a copa de todo mundo, os Índios da Aldeia Maracanã não foram convidado